A grande mania do momento é 3D

16/08/10

09:24

por: claudia.drummond

Como se o mundo real e  o virtual nao fossem suficientes , a gente tem a sensação de que todas as nossas experiências precisam ser enriquecidas e turbinadas. Então depois da onda de hologramas nas passarelas e em eventos em 2008,  do uso de AR – Augmented Reality do ano passado, aonde praticamente toda marca que se vê como moderna e inovadora, mandou ver umas ações de AR e da enxurrada de filmes em 3D puxada por Avatar, estava claro que a nossa leitura da realidade nunca mais ia ser  a mesma. Desde então estamos vendo anúncios, capas de revista, spots para cinema e conteúdo em 3D para a Internet.  O mais interessante e , pelo menos por estas bandas, inovador, é que  a produção de conteúdo em 3D meio que quebrou um paradigma da publicidade:  ao invés da  agência de publicidade ou ATL como ainda chamam por aqui estar liderando os spots em 3D – sao as agências e os clientes responsáveis pela  comunicacao digital que detém o know how e a visão para liderar este tipo de projeto: é digital. E isto  provocou uma  inversão na hierarquia da comunicação e mostra o caminho do que ainda esta por vir. Agências tradiconais, se preparem porque esta onda ninguem segura e aparentemente isto é só o começo.

Saindo do mundo das agencias para o mundo real é sempre interessante ver uma tendência se desdobrando à nossa volta e ja há algum tempo já tinha me chamado a atenção  a profusão de móveis de papelão que passaram a invadir as revistas e loja de decoração – que como num filme 3D se transformam de uma pilha de papel prensado em cadeiras, armários e bancos. Livros em formato pop up estao literalmente “popping up” em toda parte . Festas nos pubs ingleses para ver futebol em 3D, 3D illusory graffiti nas ruas, celulares 3D touch screen, impressoras 3D, TV em 3D, estilosos óculos modelo Aviator com lentes  em vermelho e azul para 3 D, games e por aí vai. Estamos revisitando o mundo em que vivemos e criando camadas de ilusões para uma experência mais rica e por que nao dizer? Mais real que a propria realidade.

Então nao perca mais tempo: tá esperando o que? Coloque os seu óculos vermelho e azul, saia por aí e dê uma incrementada na sua vida.  O mundo virou além de virtual e pelo menos neste verão europeu, ele  é  3D.

Tucanaram as compras entre amigas no Brás!

21/07/10

14:17

por: fabianne.chuster

Quando eu era adolescente, lembro de alguns episódios nos quais algumas amigas se juntavam, iam para o Brás e voltavam com sacolas cheias e sorrisos nos rostos por comprarem suas roupitchas com um desconto incrível.

É esse mesmo prazer que o povo está sentindo hoje em dia com os precinhos camaradas oferecidos por alguns sites de e-commerce que estão praticando esse mesmo conceito de grupo de compras online. É o tal do Social Commerce.  Tucanaram as compras entre amigas do Brás!

Tenho acompanhado nos últimos meses o surgimento de uma série de empresas com essa proposta de “compras em grupo” na Internet brasileira, que na verdade também exploram um conceito de venda de “um produto por dia”.

Todas pegam uma forte carona na referência americana GROUPON, que chamou a atenção em maio por receber um aporte de R$ 17 milhões do alemão Klaus Hommels, empresário que já investiu em empreendimentos como Skype e Facebook. Acho que esse cara deve saber o que está fazendo…

Essas são as que estão no meu radar. Se souber de mais alguma, comente esse post!

http://www.clubeurbano.com.br/

http://clickon.com.br/

http://www.peixeurbano.com.br/

http://www.imperdivel.com.br/

http://www.agrupe.com.br/

http://www.wego.com.br/

Pena que esse modelo só tem dado lugar para um produto por vez. No Brás, dava pra fazer isso numa infinidade de produtos da loja. Ou do bairro inteiro.

Lá nos EUA, o site http://www.1saleaday.com/rouba um pouco no jogo e abriu mais categorias para colocar uma oferta por dia em cada uma delas.

Esse modelo de negócio acaba estimulando muito a venda de serviços. Para as empresas, vale a pena reduzir bruscamente seus preços para gerar experimentação de serviços de clínicas de estética, restaurantes, escolas, academias de ginástica, etc.

Interessante pensar que os recursos para se montar uma estrutura como essas sempre estiveram aí, mas foi crucial um bom design de interação para estabelecer esse novo tipo de negócio e até puxar todo um mercado que seguiu esse rastro (compare o design dos sites acima. Foi criado um padrão de navegação para esse tipo de site).

Assim como ocorreu nesse modelo de negócio, existe um grande desafio de encontrar idéias interessantes de formas de aplicação que funcionem para aproveitar todo o potencial dessa junção de mídias sociais com o varejo.

Um exercício válido é o de rever todo o processo de tomada de decisão que se há no “mundo físico” e criar interfaces amigáveis para potencializá-lo no “mundo digital”.

Observação, criatividade e uso das APIs das mídias sociais existentes vão ser os elementos fundamentais para revolucionar a compra online que temos hoje.

Vamos acelerar essa mudança?

Pra começar

21/07/10

14:16

por: fabianne.chuster

Olá pessoal!

Pra começar, gostaria de dizer que estou muito feliz pelo convite para escrever no blog Sulfúrico.

Na verdade, é a oportunidade de eu pagar uma dívida que tenho com a “grande rede de computadores”, como diz o Cid Moreira.

Uso Internet desde 1996 e é impossível contabilizar quantas vezes eu já me beneficiei de algum conteúdo que alguém gentilmente postou: instruções certeiras de como domar algum software impetuoso,  posts esclarecedores sobre algum novo hit da Internet, apresentações inspiradoras para elaboração de algum planejamento, etc., etc., etc.

Trabalho com Internet há dez anos e nunca havia publicado um postizinho sequer. Hoje começo a consertar isso, dando minha pequena contribuição pessoal para engrossar esse caldo digital.

O objetivo aqui é trazer a tona algumas “Digitalidades” que me chamaram a atenção em algum momento, e obviamente também saber das visão de vocês sobre esses temas.

Espero que gostem!

A Copa do Mundo é nossa

18/07/10

22:47

por: Cris Bussab

Julho de 2009, minha caixa de emails recebia inúmeras e fantásticas propostas para o patrocínio de canais especiais, responsáveis pela cobertura da Copa do Mundo.

Diariamente, portais e sites especializados levavam às mesas dos profissionais de mídia os brilhantes e imperdíveis projetos, com incontáveis números de impressões de banners, que poderiam ser utilizados a partir do mês de dezembro. Mesmo porque, usá-los somente durante a Copa do Mundo seria inviável e honestamente impossível. Nenhum veículo teria tantas impressões para entregar no período e grande parte dos pacotes valeria até 30 de julho de 2010.

Logo no mês de setembro o que se via em Twitters, Facebooks e comunicados por emails, eram veículos comemorando os fechamentos das cotas de patrocínio com todo o alarde possível. Parte por garantirem a Copa de 2014, o verdadeiro interesse dos patrocinadores era garantir a primariedade de compra para a próxima, e parte por garantirem antecipadamente a meta comercial de 2009.

Seriam apenas flores, chocolates e champagne se os veículos não abrissem 2010 com as metas comerciais ainda mais arrojadas e anunciantes com verbas comprometidas desde 2009 em inventários mais do que suficientes para o primeiro semestre do ano.

Repentinamente a alegria transformou-se em desespero. Não consigo lembrar um só dia, de janeiro a março, que não recebi incontáveis contatos comerciais desesperados em pedir PIs para alcançar a meta trimestral e tentar não comprometer o ano. Ligavam e cobravam fechamento de qualquer valor a partir de uma mera cotação, por telefone, email, celular, sms, rede social. Qualquer ponto de contato viável estava valendo.

Vamos ser honestos, faltou tato, planejamento e olhar o mercado. Se todos os grandes anunciantes brasileiros, que fazem web, compraram pacotes de mídia megalomaníacos, podendo utilizar seus inventários no primeiro semestre de 2010 com suas publicidades, onde é que os veículos estavam apostando encontrar verba nova? O volume percentual do investimento mal alcançou os 4% no final de 2009, então como esperavam que algo de mágico acontecesse no pior trimestre do ano para a publicidade, no segmento que briga por centavos na verba diariamente?

Claro que o caos estava somente começando. Abril, Maio e Junho tornaram-se meses de grandes desafios para encaixe de novas compras, quando nos deparamos com a falta de inventário. Sim, falta de inventário. Pasmo? Mesmo com 68 milhões de internautas brasileiros, a realidade é que existem mais páginas na Internet para serem visitadas, espalhadas nos mais variados sites, do que visitantes. Nunca recebi tanta “cantada”para comprar site exclusivo para o Dia dos Namorados.

Pessoalmente creio que alguma conta não está fechando. Só não descobri ainda qual destas contas. Perdi horas e horas ao telefone tentando re-encaixar campanhas Pan-Regionais em canais nada atrativos ao target, por falta de inventário em páginas relevantes, nos maiores portais e sites de noticias brasileiros por duas razões: o grande pacote copa usado pelos patrocinadores e um inventário de impressões que não aumentou como todos esperavam. Me vi colocando campanha focada em canal de economia na área de turismo.

Ou seja, mais uma vez a equipe comercial rebolou para tentar vender o que não era muito vendável no momento. Óbvio e sem muito esforço, é simples perceber que se tem gente querendo comprar, mas não se tem o que vender, a meta comercial está comprometida por mais um trimestre.

E quando tudo não poderia piorar, o Brasil perde da Holanda de virada. Mas alguém aí estava mesmo apostando no Hexa em 2010?

Hexa-exagero nos inventários do pacote, Hexa-exagero no planejamento da meta, Hexa-exagero na expectativa do Hexa. Só não teve Hexa-exagero no aumento das verbas publicitárias para o segmento digital. Estas continuaram comedidas dentro do patamar que os anunciantes acham que traz retorno. Ou até mesmo dos hexa- inventários.

E eu me pergunto, quem salva o ano? As eleições? O Dia dos Pais, o Dia das Crianças e o Natal? Como ficará a meta de 2011 se existe uma conta simples que não está sendo fechada?

E continuo perguntando, o que acontecerá se novos entrantes começarem a fazer publicidade digital com a freqüência e a seriedade merecidas? Tem inventário pra todo mundo ou teremos uma inflacionada nos preços? Você sabe esta resposta?

Mas como poderia dizer o Vanucci, 2014 é logo ali!

Coisas em comum entre aviões e redes sociais

16/07/10

01:21

por: edmarbulla

Estava num vôo de Buenos Aires para os Estados Unidos, lendo o The New York Times (de onde aliás tirei algumas estatísticas para este post), quando resolvi dividir com vocês, caros leitores, algumas novidades sobre redes sociais e… aviões!

Há algum tempo atrás – e não muito distante – era muito bom poder socializar nos lounges de aeroportos. Isso continua sendo possível, mas agora isto pode acontecer digitalmente e também durante um vôo.

Um bom número de passageiros que voa com freqüência já está usando seus telefones celulares para criar uma rede informal de viajantes. Um exemplo é o FlyerTalk.com, que criou aplicativos (adivinhem? Um GPS embutido!) que possibilitam a seus membros encontrar uns aos outros durante uma viagem, dividir táxis para o aeroporto, pedir ajuda e obter dicas locais ou simplesmente localizar um colega que esteja na mesma cidade.

Cada vez mais, um número maior de aeroportos e companhias aéreas (estas últimas, fora do Brasil, por enquanto) oferece redes Wi-Fi nos aeroportos e nos próprios vôos. Uma pesquisa feita recentemente pelo AIC (Airports Council International) com os 84 maiores aeroportos do mundo mostrou que 96% deles oferecem conexões Wi-Fi e 73% possibilitam conexões entre seus terminais. Dos que oferecem o serviço, 45% o fazem gratuitamente e o restante cobra cerca de US$8 por uma hora de acesso à rede. Mais de 10 companhias aéreas na América do Norte, como American Airlines, Delta e Southwest estão provendo acesso à Internet em seus aviões e outras companhias como a Lufthansa estão se preparando para oferecer a nova tecnologia para conectar seus passageiros em vôos transoceânicos. A Emirates já tem testado chamadas a 10 mil pés, mas isso continua proibido na grande maioria dos vôos e companhias aéreas. Sem dúvida isto é uma oportunidade de receita para as companhias aéreas, que nos Estados Unidos costumam cobrar entre US$5 e US$13 pela conexão Wi-Fi durante os vôos, e oportunidade também para as redes sociais e os desenvolvedores de aplicativos.

Só para se ter uma idéia do potencial, até o final de 2010, aproximadamente 1.200 rotas aéreas comerciais nos Estados Unidos vão oferecer Wi-Fi para seus passageiros. Se falamos comumente aqui no blog sobre tecnologia volátil, eis um exemplo claro, porque esta realidade era totalmente diferente até o ano passado.

E como os passageiros estão aderindo ao novo serviço? De acordo com a Virgin America, que capacitou toda sua frota com Internet, metade dos seus passageiros traz seus laptops a bordo e entre 17 e 20% deles permanecem online o tempo todo! Em vôos mais longos, 1/3 dos passageiros permanece conectado. Sim, caros leitores, em breve não estaremos mais livres do email chegando a toda hora no velho refúgio aeronáutico! E as possibilidades são infinitas, porque a própria Lufthansa consultou a FlyerTalk.com para desenvolver seu próprio produto digital, antes de oferecê-lo a seus passageiros. Vale a pena checar o FlyerTalk.com e descobrir por si mesmo como isto funciona. A Virgin America também está oferecendo um serviço chamado seat-to-seat messaging que, como o nome diz, possibilita a troca de mensagens a partir dos monitores individuais dos assentos.

A Internet a bordo é algo bacana e benéfico tanto para as companhias quanto para os passageiros. A própria Virgin comentou um caso de que um passageiro havia reclamado,durante um vôo, sobre a má qualidade do seu sanduíche, enviando um email para a ouvidoria da companhia. O pessoal em terra recebeu a mensagem e imediatamente enviou uma mensagem de volta para o avião, para que fosse oferecido ao passageiro uma segunda opção de refeição ou um substituto para o sanduíche em questão. Claro que o efeito negativo ao se lançar nas redes sociais também pode acontecer, especialmente em casos de má qualidade de atendimento, atrasos ou problemas técnicos durante o vôo.

Até imagino que, em breve, a explicação de segurança poderia ficar assim: “…esta aeronave está equipada com duas saídas à direita e cabos de conexão ao lado do seu assento. Para utilizar a conexão Wi-Fi, por favor, solicite à tripulação. Em caso de despressurização de cabine, sua conexão com a Internet será automaticamente interrompida”.

Se bem que, nestes casos, a última coisa que você vai pensar em usar, de fato, será a Internet! Boa-viagem!

Pra que viver do passado?

14/07/10

16:59

por: edmarbulla

Muita gente me pergunta se sou contra a TV. A resposta é não. Acredito que todos os meios possuem suas características próprias e desempenham um papel importante no mix de comunicação, incluindo aqui todos os esforços de varejo. O que sou contra, de fato, é em relação à mentalidade assaz arcaica e pouco evoluída sobre o uso desse veículo.

E por que isso acontece? Creio que todos concordamos que a TV foi um elemento absolutamente icônico do século XX. É inquestionável sua influência no comportamento da população. No entanto, se fizermos uma avaliação partindo de dois cortes temporais, a TV em 1960 e a TV em 2010, vamos perceber que temos 50 anos que nos separam. Ao mesmo tempo, a indústria publicitária não parece ter caminhado, muitas vezes, sequer uma década, em sua mentalidade.

Já se tornou clichê afirmar que a multicanalidade, a co-criação e os meios digitais são a realidade de comportamento e consumo de mídia. No entanto, é impressionante ver como a maior parte das agências ainda continua defendendo o posicionamentos de um produto a partir de campanhas publicitárias, esvaziando a promessa principal de produto e inflando egos, cumprindo a função de comunicar, para grandes marcas, com base e apostas de risco em campanhas pensadas e feitas para TV. Pior ainda são os profissionais de Marketing que estão encarregados de liderar processos de inovação e mudança, que corroboram a situação. Os consumidores, que deveriam ser surpreendidos, acabam sendo os geradores das grandes idéias, dos movimentos, das tendências, criando meios de engajamento próprios com suas marcas preferidas. Existe então uma grande confusão e inversão de papéis.

Como obter sucesso nesse contexto? Como ser uma marca admirada e amada pelos consumidores? Qual o papel dos milhões investidos em pesquisa, a partir do momento que se mostra, muitas vezes, somente aquilo que se quer ver? Infelizmente, ainda se faz muito Marketing para as próprias empresas e não para os consumidores.

A TV foi tão importante na segunda metade do século passado (isso, eu disse século passado!) que criou um residual de comportamento indefectível. Mas é importante situar contextualmente que a TV como símbolo de diferenciação, status, elemento icônico agregador da família, símbolo e porta-voz das massas, pertence a um passado no qual já não mais estamos, no qual não existia controle remoto, nem Internet. Miopia, zona de conforto, modelos de remuneração, bonificação por volume, ego… As razões são muitas, mas o que talvez mais me convence é que muitos publicitários estão ainda presos ao mindset de glamour, aos grandes investimentos, às campanhas memoráveis, ao primeiro sutiã, à W/Brasil, defendendo uma postura old school.

O passado glorioso da publicidade, alicerçado na genial idéia criativa para um grande comercial de TV, no copyright e na arte como vedetes, sem dúvida, é brilhante, mas podemos (e devemos!) construir uma nova história. Em tempos de inovações tecnológicas tão voláteis, a realidade do cross media e especialmente dos novos comportamentos de consumo de mídia dos consumidores são os elementos que devem guiar toda a estratégia de comunicação das marcas.

Conteúdo e serviços são inegavelmente a mensagem publicitária. Os consumidores são os próprios veículos. As marcas estão nas mãos dos consumidores. Saber fazer uso de tudo isso não é fácil, mas garanto que requer flexibilidade, humildade e resiliência, antes de mais nada. Muitas campanhas já deveriam ser somente suportadas (e não mais definidas) por TV, a partir do momento que são geradas nos meios digitais. E não existe demérito algum nisso. Muito pelo contrário, porque o alicerce é tão importante quanto o teto em uma construção e a riqueza da comunicação é fazer uma orquestração perfeita dos meios, independentemente em qual posição se atue.

Updates e gente nova no pedaço!

12/07/10

14:04

por: edmarbulla

Olá!

Muita gente tem reclamado do meu desaparecimento. E peço desculpas. De fato, andei sumido, mas vou explicar a razão.

Em primeiro lugar, tirei merecidas férias pela Toscana e Portugal. Honestamente, eu me desliguei de tudo um pouco e curti demais a viagem. Eu me sinto literalmente em casa na Itália! E já estou com saudades… Estou também de casa nova: PepsiCo! Uma grande companhia e também uma boa mudança: de aparelhos celulares para bebidas. E estou muito feliz com esta oportunidade, assumindo a gestão de Consumer Engagement para o Brasil.

Como estas primeiras semanas na PepsiCo me tomaram muito tempo para conhecer a cultura, pessoas, lugares e absorver muita informação em pouco tempo, acabei deixando de blogar, mas as idéias continuam borbulhando.

Outra novidade é que o blog Sulfúrico passa a contar agora com 3 super colunistas, excelentes profissionais e queridas amigas: Claudia Drummond, que assina a coluna Lifestyle Urbano; Cris Bussab, escrevendo sobre o Quotidiano e, por fim, Fabi Chuster, em uma coluna batizada de Digitalidades. Tenho certeza de que vocês vão curtir!

Esta semana ainda estarei fora numa jornada entre Buenos Aires, New York e Miami, mas prometo que novos e sulfúricos posts chegarão sem parar, seja pelas mentes habilidosas dessas grandes profissionais ou seja por este ser que vos escreve.

Juntem-se a mim para desejar às novas colunistas as boas-vindas!

Até breve!

Transmedia Storytelling: escrevendo a nossa história

07/06/10

12:03

por: edmarbulla

 

Era uma vez… Toda história que ouvimos, desde que éramos crianças, geralmente começava desta maneira. E tinha seu começo, meio e fim. Naquela época não importava para nós o nome da construtora dos Três Porquinhos, o fabricante do sapatinho de cristal da Cinderela e se os doces que a Chapeuzinho Vermelho levava para a vovó eram diet ou light. Bons tempos aqueles! No entanto, nós crescemos e nos tornamos profissionais de comunicação. Agora, caros leitores, quem deve contar a história somos nós. E de uma maneira bem diferente!

Há um mal que assola nosso meio: o monstro da fragmentação. E ele tem características bem definidas: ansioso ao ponto de querer fazer tudo sem muitas métricas, nada moderado com os gastos e especialmente com relação ao retorno sobre os investimentos e  um pouco desordenado no ”faça tudo!”, numa desesperada tentativa de querer estar em todos os lugares, não importando a que preço. É um rapaz agitado esse bicho-papão da fragmentação, mas temos que concordar em uma coisa: ninguém mais já está acreditando nele, não é verdade? Ou pelo menos não deveria.

E para combater esse terrível vilão, eis que surge um herói: o Transmedia Storytelling! Se você ainda não ouvir falar dele, tenho então a honra de apresentá-lo: sabe o seriado Lost? Pois bem, este foi um dos primeiros casos de uso do Transmedia Storytelling, ganhando inclusive a capa da Superinteressante em 2007 (quem se lembra?). TV e Internet caminharam juntos e foram muito além do simples “essa história continua na web”. Lost explorou de maneira inteligente o Valor Interativo com os fãs do seriado, investindo na qualidade do relacionamento para fazer da própria marca um conteúdo relevante, atrativo e capaz de engajar por um longo tempo. Sem dúvida, um exemplo que deveria ser tomado por muitas marcas.

De fato, caros leitores, a televisão (assim como as histórias infantis) tal qual conhecemos já vem funcionando do mesmo jeito há muito tempo. E como eu já disse antes, não vejo diferença alguma entre um anúncio e um pop up em termos de intrusão. Ambos são invasivos, porque ninguém pediu por eles e alguém quer, forçosamente, que você os veja. Mas, fazer o quê? Alguém tem que pagar a conta! Se mensurar essa indústria não é fácil, imaginem sustentá-la! Se por um lado a Internet puxa os pilares, de outro um motim de senhores engravatados coloca mais cimento nos alicerces.

Transmedia Storytelling vem com força total para tornar ainda mais enfática a cultura da convergência.  Nessa nova era televisiva, você é participante ativo, parceiro e co-criador! Estamos falando de conceitos do Novo Marketing aplicados na prática. Se o YouTube nasceu em 2005 para simplesmente facilitar a troca de vídeos entre amigos, acabou por se converter no protótipo da TV 2.0 e fez com que hábitos enraizados há décadas começassem a ser mudados, simplesmente porque estávamos falando de uma nova plataforma de mídia: a Internet. De repente, não era mais necessário esperar o programa de TV para comentar depois. Era possível interferir na trama meses antes! Passou a ser factível acompanhar um universo extratelevisivo e exclusivo para outras mídias. No entanto, a mesma história passou a ser contada e muito bem amarrada, utilizando-se dos pontos fortes de cada ponto de contato e tornando o espectador em ator co-adjuvante. Agora, imagine, estimado leitor, quando a TV digital estiver, de fato, caminhando muito bem, tanto técnica quanto culturalmente falando. E com a consolidação da TV via Internet, fincaremos a bandeira do caminho sem volta em uma home page repleta dos nossos programas favoritos e olharemos com certo desdém para este modelo que, hoje, já pode ser nomeado de decadente.

E para não deixar de tocar num assunto crucial, vale a pena a pergunta: e quem paga a conta? Existe um grande axioma nisso tudo: a publicidade e a indústria do entretenimento estão grudados, caminhando juntos, lado a lado. E o futuro de ambos é simbiótico: se um estacionar, o outro certamente vai empacar. E se isto é verdade – e considerando que os bilhões de dólares injetados em canais tradicionais de mídia, como a TV, estão sendo cada vez mais reavaliados – estamos diante de um sistema em erosão. É a vitória do conteúdo sobre a forma! É a liberdade de não ter mais que concordar que a tal Dona Chica continue atirando o pau no gato. Pobre do gato…

Considerando que o Transmedia Storytelling nada mais é do que um nome bacanudo para definirmos um conjunto de conceitos e técnicas para transmitir conteúdo relevante, através de mensagens, temas ou histórias, por meio de diferentes plataformas de mídia, utilizando a participação do usuário como elemento interativo, podemos afirmar que quando as marcas se apropriam desse conceito e o utilizam para colocar os seus fiéis consumidores dentro das suas histórias, elas estão atingindo um estágio de evolução importante. E não é simplesmente discutir algo nas redes sociais ou produzir um viral, porque isso qualquer criança já nasce sabendo. Estou falando de colocar o consumidor como elemento que opina, que decide, que cria o conteúdo. E o pulo do gato é fazer da marca o próprio conteúdo, “desfragmentando” os pontos de contato, investindo com cautela e respeitando os desejos do consumidor.

O tema é longo e merece uma discussão mais duradoura, mas só desejo, por enquanto e pelo menos, que a mensagem do cross media permaneça com sua riqueza de possibilidades: TV, web, mobile, games, música, cinema, prints, etc. De fato, ainda estamos curiosos para saber qual será o futuro da TV, da interatividade, dos modelos de negócios e da própria profissão publicitária. O mais interessante e o que mais me estimula nisso tudo é saber que estamos construindo, além da nossa história, a história da publicidade. É uma oportunidade única, mas não tem sido nada fácil, porque somos obrigados a construir novos modelos e sistemas enquanto velhas metodologias são derrubadas (o bom e velho Tesarac!). A tecnologia anda mais rápido do que conseguimos implementar e o poder conferido ao consumidor, com o advento da Internet, torna esse processo democrático mais radiante, mais arriscado, mais compensador e muito mais criativo.

O início dessa história nós já temos. O meio estamos construindo. O fim, ninguém ainda sabe. Como vocês podem notar, todos estamos no meio de um grande Transmedia Storytelling. E já que publicidade e entretenimento andam de mãos dadas, que saibamos nos divertir muito com isso tudo. Boa sorte!

5 idéias para fazer a mudança acontecer

28/05/10

13:07

por: edmarbulla

 

Quer sacudir a bandeira do cross media? Então comece a fazê-lo dentro de casa. A mudança efetiva só ocorre quando todos os envolvidos da corporação entendem que ela é benéfica e que vale a pena. Se o seu dilema é “como conseguir o engajamento das pessoas”, saiba que a tarefa não é tão difícil assim.

Tenho visto alguns exemplos de grandes marcas que estão estabelecendo mudanças internas significativas para fazer a acomodação aos novos tempos. Não vou citar os nomes das empresas, mas acho válido trazer alguns exemplos ou idéias de como estimular o engajamento digital:

1. Atrele o percentual de investimento em novos canais e mídias digitais aos objetivos corporativos comuns de todos os gerentes e demais colaboradores envolvidos com os resultados do período, quando for realizar o planejamento. Talvez esta seja uma medida pouco democrática – alguns podem pensar – mas quem disse que atrelar resultados de gross margin, net sales e brand preference como parte dos objetivos comuns algum dia foi algo democrático? É justamente aí que temos o coprometimento das pessoas: quando colocamos a mão nos seus bônus! Sejamos sinceros: nestes casos, não há nada mais motivador do que dinheiro, não é verdade?

2. Estabeleça um processo top down. Se você tem sorte e possui um gestor open minded, agradeça aos céus! Tem muita gente aí sofrendo com o pessoal old school que não larga o osso e nem faz a sopa! Triste ver gente assim, com tanto poder de decisão e tão pouco poder de realização. Para evitar que suas idéias patinem na execução é fundamental educar todos aqueles que podem colaborar para que você não atinja o sucesso nas suas ações (e, cá entre nós, isso tem de sobra, não é?). Em uma coisa todos concordam: contra fatos não há argumentos. Sua saída aqui é comprovar, por meio de resultados e dados estatísticos, utilizando casos de sucesso de mercado ou através de ações-piloto realizadas por sua área, que o que você quer fazer realmente dá certo, traz resultados claros para a companhia e, mais do que tudo, que os seus consumidores estarão felizes com isso! Aqui é a hora de “usar” o consumidor a seu favor. Não se exponha desnecessariamente! Use tudo o que você tiver de tendências, dados de mercado e referências para conquistar a alta gerência, diretoria e mesmo a presidência da companhia para a qual você trabalha. E vá aos poucos, sem “queimar” a si mesmo ou desperdiçar oportunidades que podem ser únicas.

3. Utilize a comunicação corporativa ou interna para manter o tema sempre na berlinda. Você pode inclusive encontrar uma brecha para fazer um bom Marketing pessoal e tornar-se referência no assunto em sua organização, proporcionando momentos de verdadeira consultoria para quem precisa – mas não se esqueça de ser humilde e respeitar tudo o que já vem sendo feito, antes de sugerir qualquer mudança. Sem dúvida alguma este é o pior e mais comum erro. Então, ouça bastante e procure identificar as oportunidades. Aos poucos você pode conseguir até uma promoção com isso. Vá em frente, alie-se ao pessoal de comunicação e use as ferramentas de endoMarketing para fazer a coisa acontecer. Importante aqui é sair da teoria e nunca deixar o tema esfriar. Ative seu poder de persuasão e siga em frente!

4. Envolva todos os colaboradores que precisam ser engajados. Convide-os por exemplo para fazer uma ação-piloto ou para escrever um case e publicar no jornal interno. Ou mesmo para apresentar resultados numa reunião de diretoria. Comece por uma área, depois engaje outra e assim por diante. Lembre-se de que você é um educador e um agente de transformação e que toda transformação parte dos elementos que já existem para, a unindo-se à alquimia, criar algo novo. Procure identificar em cada área quais são os pontos fortes e escolha somente um deles. A partir de então, trace sua estratégia e divida com os outros gestores. Obtendo o consenso mútuo, siga adiante.

5. Organize eventos internos para aculturar as pessoas que não conhecem muito bem o tema ou que precisam conhecer mais. Envolva a companhia nesses eventos. Para citar um único exemplo de empresa, na Nokia criei as Digital Sessions, encontros mensais para toda a empresa, gratuitos, com o objetivo de criar a cultura digital, levar conhecimento para os demais e, claro, obter o compromisso e o engajamento necessários. Felizmente pude contar com grandes amigos, como por exemplo o Alex Dias (Google), Guilherme Barenboim (Yahoo) e Walter Longo (Y&R), que proporcionaram horas brilhantes de compartilhamento de conhecimento e transformação. Aproveito para agradecê-los, mais uma vez.

Sem dúvida, existem outras idéias e atividades que podem ser planejadas e tudo vai depender de cada empresa e cada sistema. O mais importante, neste processo de aceleração da mudança, é saber respeitar os limites, tanto os seus quanto dos outros, ter paciência para esperar os frutos vingarem e humildade para saber que você é apenas um agente de transformação. O benefício maior, de fato, virá no decorrer do tempo, com resultados efetivos em vendas, posicionamento de marca e satisfação de seus consumidores. Boa sorte!

A diferença entre encantar e inventar

27/05/10

12:40

por: edmarbulla

 

A notícia já reverberou por aí e muita gente já esperava por isso: ontem, a Apple, pela primeira vez, superou a Microsoft como a maior empresa de tecnologia em valor de mercado. Como se não bastasse o feito, foi a segunda no ranking geral, perdendo o posto somente para a Exxon Mobil. Vejam o gráfico abaixo da Nasdaq:

 

Mas vamos dar uma olhada também na capitalização de mercado de ambas as companhias num período de tempo mais longo – de 1990 a 2009 – e analisar como a Apple vinha se comportando nos últimos 10 anos.

Há aproxidamente nove anos, a Microsoft valia US$ 586 bilhões e a Apple figurava lá atrás, com seus US$ 17 bilhões, mas a batalha já estava travada e investidores sabiam que o ciclo de vida dessas duas empresas apresentava estágios bem diferentes: a maçã mordida, porém promissora e atraente; e a gigante de Bill, praticamente um monopólio em período de pré-saturação e com grandes enfrentamentos judiciais e de concorrência pela frente. De lá para cá, podemos dizer que os investidores da Microsoft (MSFT) perderam muito dinheiro, ultrapassando a casa dos 421 milhões de dólares. De outro lado, os investidores da Apple (AAPL) sorriram muito, embolsando quase 100 milhões de dólares. A grande senhora Microsoft, que criou os sistemas operacionais que rodam em mais de 90% dos computadores do mundo, viu suas ações caírem ano após ano.

Qual a causa de tudo isso? MacBooks? iPhones? iPads? Não! A causa se chama encantamento! E o encantador se chama Steve Jobs. Sim, caros leitores, a Apple é capaz de encantar seus consumidores como nenhuma outra empresa de tecnologia nos dias de hoje e isso vai além da invenção de um produto (leiam também um post anterior sobre o iPad e a cybercultura).

É certo que o iPhone, apesar do sucesso contínuo, ano após ano, ainda representa muito pouco das vendas totais de empresas como a Nokia, por exemplo. No entanto, vamos lembrar que a Apple decidiu ingressar nesse business só depois de 2007. E o estrago já tem sido grande! A Apple, de fato, revolucionou essa indústria e criou um marco para as invenções: agora temos o que vem antes de iPhone e depois de iPhone. Além de ter causado uma verdadeira febre, a Apple conseguiu um outro feito: estabeleceu-se como líder intelectual do segmento de aplicativos e reinventou o conceito de store (Apple Store), que tem sido seguido por todas as suas concorrentes. Hoje não é possível falar de música digital sem falar de iTunes, por exemplo. E iTunes foi uma grande alavanca para a derrocada da indústria fonográfica tal qual ela era, porque não estávamos mais falando de pirataria digital, mas de uma marca icônica e desejada que firmou um marco: era possível vender música pela web. E a despeito de qualquer volume de aplicativos que sejam baixados ou utilizados a partir de outras empresas, a Apple é a nave-mãe que lidera essa grande disputa e está de mãos dadas com o Google, outra entidade capaz de encantar os usuários a partir de serviços irresistíveis.

E finalmente ontem a Apple subiu 1% na Nasdaq, ultrapassando o valor de mercado da Microsoft.: o seu valor de US$ 225,1 bilhões superou os US$ 222,7 bilhões da concorrente, segundo dados da Reuters. Conforme também informou o jornal o Estado de São Paulo, com a subida, a Apple assumiu o posto de segunda maior empresa em valor de mercado no mundo! Esta é a grande diferença entre uma empresa simplesmente criar algo novo e gerar encantamento. A invenção tecnológica envelhece rápido demais e é geralmente focada em produtos. O encantamento cumpre a função de fazer brilhar os olhos do consumidor e está atrelado à marca, estabelecendo um relacionamento atemporal e contínuo com o consumidor (leia post relacionado sobre Valor Interativo).

A Apple vem ensinando que não basta uma empresa apenas desejar criar soluções irresistíveis para seus consumidores. É preciso, antes disso, tornar-se irresistível para si mesma, assim como ela é e como muitas outras gostariam de ser. Inquestionavelmente, Apple e Google assumiram a liderança intelectual dessa indústria e seus concorrentes estão preocupados com isso. Felizes estão, seguramente, os consumidores.

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